Pois é, 43 anos depois da morte do maior guitarrista de todos os tempos sai um disco inteiro de inéditas chamado People, Hell and Angels.
Disco bom de mais, faz jus a todo o trabalho anterior de Hendrix.
Ele é bem cru no sentido de produção, muito diferente de Axis: Bold As Love e Electric Ladyland, que são discos de uma produção um tanto quanto ousada e impecável. Aliás, uma das coisas que difere Hendrix de ser apenas um guitarrista genial, muito a frente de seu tempo, é sua capacidade como produtor. Compare a produção destes discos com qualquer outro da mesma época, nem um tem o perfeccionismo que eles.
Enfim...
Voltei do trabalho pra casa ontem ouvindo o disco e pirando.
Quando chegou a ultima musica de nome Villanova Junction Blues, eu tive aquela sensação "já ouvi isso...o que é mesmo?".
Vasculhando meu cérebro musical lembrei de uma musica do também genial guitarrista Stevie Vai chamada Tender Surrender.
Como pode o cara ter plagiado uma musica que ainda não havia vindo a publico, me perguntei.
Aí fui pesquisar.
Descobri que essa musica (Villanova Junction) já havia sido registrada, mas numa gravação ao vivo, no inesquecível Woodstock de 1969.
Na versão do show ela é um pouco mais Blues, não se parece tanto com a Tender Surrender quanto a que está no album póstumo.
Será que é uma homenagem consciente do Vai? Ou seria um aproveitamento de uma musica que ainda não havia sido gravada em estúdio?
Fiquem com isso:
Quinta-feira show do Lama Bomba no Cidadão do Mundo em São Caetano, na inauguração do ensaio aberto.
Venha plagiar o Hendrix conosco!
Agora parece um pouco tardio, mas eu quero deixar aqui explicito o que essa banda significou pra uma era do rock. Especialmente para mim.
A banda é o finado (por enquanto) The Mars Volta.
Lá em meados de 2005 eu entro no segundo colegial (entregando a idade) numa escola diferente. Cabeludão, com pulseiras e colares, eu era o tradicional "ROUQUEIRO MEU". Já conhecia bastante bandas mas nada que fugisse muito ao classic, metal e hard rock.
Logo que cheguei na sala notei algumas pessoas que curtiam hardcore, emo, musicas que estavam em alta na época. Achei que seria difícil me misturar e trocar uma ideia musical.
Geralmente adolescente é muito extremo e tende a ser preconceituoso. Não era tanto o meu caso, mas ainda assim eu tinha meus preconceitos musicais.
Bom, comecei a me misturar. Mostrava musicas pra eles, eles me mostravam musicas, sem muito sucesso. Até que um dia chegamos no ponto em comum. THE MARS VOLTA.
Pessoas que curtiam hardcore gostavam de At The Drive-in, que é de onde vem as duas principais cabeças do Mars Volta. Então parte das pessoas do hardcore gostavam de Mars Volta. E eu como vinha do lance mais classic e tal, curtia um rock progressivo, um rock setentista, me apaixonei de cara pela banda.
Na época rolava o clip do single The Widow direto na Mtv. Eles haviam acabado de lançar o disco Francis The Mute.
Foi nessa época também que eles fizeram um show no Brasil, no Tim Festival, se não me engano.
O primeiro disco é o De-loused in The Comatorium, clássico absoluto dos anos 2000. É uma viajem intensa, realmente algo que você nunca ouviu antes. Detalhe, 90% dos baixos do album são tocados por ninguém menos que nosso querido Michael Balzary, o Flea do Red Hot Chili Peppers
Cedric, o vocalista, desde os tempos de At The Drive-in escreve letras praticamente indecifráveis, e no Mars Volta ele não faria diferente. Todos os discos são temáticos, agora de que não me pergunte sobre o que falam hehehe BRINCKS.
E o Omar Rodriguez-Lopez, com quem eu me orgulho de compartilhar parte do sobrenome, é quem compõe todas as musicas, produz o disco e é geninho em tudo o que faz. Brotherzasso de outro truta meu que é o Frusciante (ex-RHCP), que tocou alguns solos no segundo disco e praticamente em todas as faixas do terceiro (Amputechture).
Os meninos fazendo uma jam
O quarto é o meu atual favorito, The Bedlam in Goliath. Que é uma paulada atraz da outra, o disco mais pesado da banda, com riffs pesados do começo ao fim.
O quinto eu ouvi muito pouco, mas é considerado o pior disco da banda. Eu sei de uma história na qual a gravadora deles, a Warner, pediu pra que eles fizessem um disco com musicas mais curtas, pra tocar nas rádios, coisa e tal. Nesse ponto a banda sempre fez jus a uma banda de rock progressivo com uma média maior de 8 minutos pra cada musica.
O ultimo eu estou esperando o correio me entregar. Encomendei da gringa o LP duplo de Noctourniquet e me recuso a ouvir o disco se não for na minha vitrola.
Bandas como essa são primordiais. Gerar essa mistura de sons e publicos é a coisa mais bela que uma banda pode querer. Definitivamente uma das melhores banda dos anos 2000.
É uma pena que tenha "terminado"
Mas fica aí a DICKA pra essa Juventude desse meu brazilzão ouvir essa banda incrível.
E se você quer ver a coisa mais maneira do mundo na questão de performances ao vivo de banda, procure pelos shows da turnê de The-Loused e Francis the Mute.
Eu vi no SWU e me decepcionei um pouco, não pelo som, que foi maravilhoso, mas pela performance explosiva que é um dos pontos altos da banda, e que acabou não acontecendo no dia. Um show bem sóbrio.
Se você quer ver performances a altura está intimado a comparecer no Cidadão do Mundo nos dias 1 ou 7 de março e ver a banda Lama Bomba.
Rua Rio Grande do Sul, Numero 73 em São Caetano do Sul - SP
Foi este o resultado do esforço de alguns anos, muitos nomes... Finalmente bem gravado, finalmente em sintonia. A banda que começou com 6 membros e no momento conta com 4. Quatro membros como nenhum outro, que se esforçam ao máximo pra fazer a coisa toda acontecer. E isso é o que realmente importa.
Chega uma época ou idade em que tocar em banda se torna quase que inviável. Com trabalho e família pouco tempo resta para gastar com aquilo que seria sua profissão ideal, mas que as milhares de condições adversas não permitem. Muitos sacrifícios tem de ser feitos pra quem quer continuar a gozar do prazer de fazer seu som ou trabalhar com musica. Tem que ser paixão, tem que ser faca amolada.
Foi realmente divertido gravar este EP e ele já está rendendo alguns belos frutos como propostas de show, propostas de lançamento do EP, uma prensagem em vinil 7"e por aí vai. Muito orgulhoso da banda e de todos que a cercam.
Que venham shows, tournes, amizades e todos nossos sonhos adolescentes.
Dia 7 de março estaremos inaugurando o estúdio do Cidadão do Mundo. Vai ser um ensaio aberto que contará com as bandas Lama Bomba e o Pastor Rottweiller. Vai ser animal! Colem todos!
Boa noite Brasil.
Aqui estou mais um dia sobre o olhar sang...não, não é bem isso que vou escrever.
Nesta sexta (29/06/2012) rolou um show aqui na minha terra natal, São Caetano do Sul, que me derreteu o cérebro e sinto que devo compartilhar isso aqui, e divulgar o som das bandas que tocaram no evento.
O evento rolou no Cidadão do Mundo, previsto pra começar as 21h. Esperto que sou saí 21h de casa pra chegar lá com a banda já rolando. Meu pneu furou na hora de sair de casa e aí tive que pedir socorros para conseguir chegar até o show. E nisso pensando que não iria rolar mais, que eu ia perder parte da primeira banda e tals.
Bom, cheguei no show umas 22h30, e a rua do Cidadão ainda deserta. Entrei no pico e tava nóis, o DJ, os caras da casa e o Nego Will (organizador do evento). E nada de banda no palco. Aí pensamos juntos "eee São Caetano, todo mundo reclama que não tem show e quando tem um evento desses a galera fica aí de bobeira. Aposto que se fosse na Augusta de terça feira essa porra tava bombando."
Anfan, quando foi umas 23h30 começou a chegar nego de todos os cantos e a rua do Cidadão do nada estava lotada. uhuuu!
O evento era composto de duas bandas Anjo Gabriel, uma banda de Recife que eu passei os dois dias anteriores ouvindo no trampo e pirando, uma banda que quando você pensa em rotular de algo eles te surpreendem e aquele rótulo ja não serve mais. É psicodélico, anos 70, progressivo, stoner. Doidera né? e a segunda banda era o Elma, banda paulistana que há muito tempo ouço falar, mas que eu nunca tinha parado pra escutar direito.
Começa o show do Elma e a multidão ainda estava do lado de fora. Acho que na terceira musica de repente lotou a parada. Um show MUITO FODA. Os caras fizeram um set (inconscientemente, fui descobrir depois) que só foi crescendo. E em dado momento do show estávamos todos em transe. É noise, é metal, é stoner, é downer e nem tem vocalista. Detalhe, a intensidade era tamanha que os caras estouraram 4 cordas, incluindo uma de baixo, durante o show
Só comparo o que senti no show deles com o que senti no show do Sonic Youth.
Terminou o show, comprei camiseta e EP dos caras.
Show do Anjo Gabriel também foi muito foda, exótico. Os caras usam theremin, guitarra de dois braços, baixo fretless (sem trastes), flauta, dois teclados. Coisa rara nos dias de hoje, bem ousado. Todos os caras excelentes musicos. O batera foi provavelmente o melhor que eu já vi tocar de tão perto, cheio de energia, tipo um Mitch Mitchel do Jimi Hendrix Experience. Troquei uma ideia com os caras e são humildissimos, estão lançando agora um LP duplo com as musicas que já estão no Myspace. Eu como disco freak que sou quis por que quis comprar mas nenhum banco estava funcionando devido, disse-me uma bruxa, os recentes ataques aos policiais que estão ocorrendo de madrugada. Ah tristeza do jeca.
Anjo Gabriel fritando ovos em nossas testas enrugadas
Passei o dia seguinte energizado e emocionado, com o show do Elma principalmente. Pensando em como os caras hipnotizaram uma pequena multidão sem usar o recurso obvio de um vocalista carismático. Muita energia cara! Quero isso pra mim. Aproveitando a boa energia compus uma musica.
No dia seguinte fui ver um show de Smiths cover, e por mais que fosse o melhor cover que já vi na vida, a energia não chega nem perto do sentimento verdadeiro que os shows desta sexta proporcionaram. Agora compreendo um pouco melhor porque deixei de tocar em bandas cover.
Parabéns pelo evento Nego Will!
PS: Vou ser pai de um menino chamado Theo, estou muito feliz. Jessi te amo (sou piegas mesmo)
Recentemente adquiri um livro que é uma compilação de páginas dos diários de Kurt Cobain.
Estava eu de bobeira na Livraria Cultura quando sou atraido a puxar esse livro grande de capa vermelha da prateleira. Aí vou ler a capa, e sim, eram os tais diários que eu ouvira falar há muito tempo. Sonho de adolescente revoltado realizado. Ae ae ae ae aeaea
Fanatismo a parte. Nirvana é uma banda muito importante pra formação musical de qualquer pessoa que goste de musica. Alguns podem torcer o nariz, mas dizer que não foi uma banda importante é só enganar a si próprio.
Enfim...
O Kurt era sim um cara que entendia muito de musica (torçam o nariz de novo), e escrevia muito sobre o assunto.
Tem um texto dele em particular que me identifiquei, e vou traduzir aqui as partes que achei mais interessante.
O texto começa com a frase "Words sucks", algo do tipo fodam-se as palavras. Acho que seria o título do texto.
"As palavras não são tão importantes quanto a energia que deriva da musica, especialmente ao vivo"
"Numa performance ao vivo dos MELVINS você não vai entender muitas palavras (assim como na da maioria das bandas), mas você vai sentir a ENERGIA negativa. Musica é ENERGIA. Um estado de espírito, uma atmosfera. SENTIMENTOS. Os MELVINS são e sempre foram os reis da EMOÇÃO. E eu não estou falando da merda dos estúpidos sentimentos de compaixão humana, mas sim dos que nos lembram que vivemos todo dia no meio da VIOLÊNCIA.
Tem hora e lugar pra esse tipo de musica. Então se você só quer rebolar a bunda vá até um rock bar. Os MELVINS não são pra você. E provavelmente eles também não te querem."
"Aparentemente as letras e as musicas deles são igualmente importantes, só que eu nunca consegui entender uma letra inteira da banda e eles nunca colocaram nenhuma delas nos encartes dos álbuns."
Isso diz muito sobre as letras do Nirvana até certo ponto. As letras do Nevermind e do Bleach, são aparentemente, com algumas excessões, rimas com palavras que o Kurt gostava. Aparentemente.
No In Ultero a coisa fica mais pensada ao meu ver, letras com personagens, coisa e tal.
E Nirvana sempre foi sobre energia pra mim.
Deu vontade de ver um show dos Melvins ao vivo, pra ver qualé.
Mas essa energia ao vivo não é excessão deles. Senti essa energia foda algumas vezes em shows, e aí é que vale a pena, aí que agente é feliz. Aí dá vontade de explodir...
Nota: Duas bandas fodas voltaram para o fim do mundo. REFUSED. AT THE DRIVE-IN.
Pura ENERGIA