A vitória do guilty pleasure

Rihanna e a arte da capa de ANTI feito pelo artista Roy Nachum.

Comecei a gostar de musica muito novo. Sempre prestando atenção nos discos que rolavam em casa, ou dando aquele rolê de carro ouvindo Alpha FM no banco de trás do gol quadrado do meu pai.
Meus primeiros CD’s adquiridos foram nas festinhas de fim de ano da escola, onde rolava o tão famigerado amigo secreto. Nos primeiros anos eu não entendia nada da musica que estava rolando, então sempre pedia o que meus amiguinhos e amiguinhas pediam. 
Eis que nessas brincadeiras acabei ganhando o primeiro CD das Spice Girls (Spice,1996) e o segundo dos Backstreet Boys (Backstreet’s Back, 1997).
Ouvi os dois intensamente, em casa, no carro durante viagens e em diversos momentos.
Bom, a partir daí começou minha guinada pro rock. Muleque bôbo. 
Aos poucos descobrindo novas bandas e novos discos. 
Dias inteiros na frente da MTV para ver aquele clipe maneiro do Korn.
E quem é dessa época lembra, se não tava tocando new metal, tava tocando pop. Britney Spears, Backstreet Boys, Christina Aguilera, N’Sync, Five, Jennifer Lopes, Jannet Jackson, milhares de artistas fazendo aquele som chiclete, cheio de fórmulas para vender e tal e coisa. Os grupos eram sempre elaborados para ter vários personagens (o bonzinho, o bad boy, o fortinho…) que preenchessem diversos tipos de vazio no coração dos adolescentes.
E eu sempre gostei. As vezes fazia tipo, pra dizer que não, que era roqueiro (ai, adolescentes), mas não resistia a Baby, One More Time.
Com o tempo fui ficando um pouco menos bôbo e realmente admitindo que gostava da “tal musica” para o mundo. 
Tudo isso pra dizer que meu disco favorito deste ano é um disco da Rihanna, o ANTI.
Cara, como eu detestava o primeiro single de grande sucesso dela, Umbrella. Aquela musica que gruda, e ainda fizeram um bilhão de versões diferentes. Chata Chata Chata.
Realmente, dentro do reinado Pop eu julgava a Rihanna apenas mais uma "wannabe" Beyoncé (outra que nunca gostei muito e continuo torcendo o nariz apesar de a qualidade dos discos dela estar sempre melhorando).
Mas de uns tempos pra cá vejo ela sempre amadurecendo. Entrando em contato com novos estilos, culturas e suas próprias origens. Sendo deletada do Instragram por postar fotos desnudas dela própria. Simplesmente fazendo o que lhe dá na telha.
Voltando ao ANTI. Um disco no mínimo intrigante para os que torcem o nariz. Com excelente melodias vocais, batidas e produção. O disco é tão bom que as primeiras quatro musicas são quatro excelentes singles. Tem também um cover de Tame Impala (olha que inesperado e legal ao mesmo tempo) que apesar de ser extremamente parecida com a original, tem uma interpretação melhor, por tanto nem ouço mais a do Tame Impala. Pobre Kevin.
Interessante notar que se você pegar as listas de melhores álbuns deste ano (2016) vai perceber alguns medalhões da musica formulenta lá no topo. Além de Rihanna estão Beyoncé e Lady Gaga. 
Até Justin Bieber lançou um álbum mais interessante este ano.
De repente é legal fazer um disco desafiador, com produção esquisita e letras relevantes.
Pode ser apenas mais uma jogada de gravadora para dar credibilidade a estes artistas pop, fazê-los adentrar listas de melhores do ano e cavar novos nichos de venda.
Ou realmente os artistas estão se bancando, mostrando a que vieram e que não são apenas marionetes de gravadora como eram há 20 anos atrás.
Tudo isso merece um estudo muito mais aprofundado do que este pobre texto que vos apresento.
Só sei que quero um vinil do ANTI na minha coleção.



Antes que o hype te faça odiar…Benjamin Booker.



É comum nos anos 2000 a prática de hypar certas bandas onde se encontra possibilidade de comercialização.
A prática de hypar é bem antiga, praticamente desde que existe indústria fonográfica. Mas o lance é que com a vinda da internet, e ainda mais, o Facebook, você pode sentir certas bandas martelando na sua cabeça mesmo que você realmente não queira.
E, ao menos que você se tranque no banheiro até o hype passar, vai ouvir falar dessas bandas.
Foi assim com praticamente todas as “grandes bandas” dos anos 2000 e 2010. Quem vai salvar o rock? Strokes, Arctic Monkeys? Tame Impala? Bla bla bla.

Outra prática comum, só que agora de quem se diz “entendido” de música, é odiar as bandas propagadas pelo tal hype.
Já caí do cavalo e me surpreendi tanto com essas bandas, que hoje em dia dou chance para todas. Independente do quanto falam por aí, ou toquem na 89 fm. Enfim...

Meu faro me diz que o próximo grande hype será em cima deste cara, Benjamin Booker.
O disco dele sai oficialmente amanhã, então se prepare e segure sua onda, porque o cara é realmente bom e vai estar todo mundo falando dele. 
Então, antes de começar a odiá-lo, dê a ele uma chance. 

Benjamin nasceu na flórida no ano de 1989, mudou-se há dois anos para Nova Orleans para tentar a sorte como músico. Começou tocando e cantando violão sozinho, tempos depois passou a ensaiar com seu amigo de longa data Max Norton na bateria e por fim encorporou Alex Spoto no baixo.

Seu som tem o dom de agradar gregos e troianos. Timbres de guitarra excelentes, sempre abrilhantados com um pouco de Fuzz (em alguns momentos muito Fuzz), um vocal suave e rasgado ao mesmo tempo, que poderia facilmente emular a voz de Kurt Cobain, mas que tem uma personalidade muito forte (me lembra um pouco o vocal do Phil Lynott do Thin Lizzy). 
Músicas que são tanto pra sacudir o esqueleto, quanto para ouvir em casa, tranquilo.



Há músicas em seu disco que vão mais pro lado do folk, em outros mais psicodélicos, mas em geral é um Garage Pop (inventei agora o termo). Tudo executado com muito bom gosto.
Com um single poderoso, Violent Shiver, esse rapaz de 25 anos vai longe.

Além de que ele é apadrinhado por ninguém menos do que Jack White. Que já há algum tempo vem rasgando elogios pro rapaz (ele diz que Jack foi seu primeiro herói na guitarra), inclusive chamando-o para abrir seus shows. 
Até agora ele já coleciona excelentes participações em programas como David Letterman, Conan O'Brien e KEXP.
O hype virá e não será pouco: bela voz, bom single, Jack White, Fuzz. O que não faltam são tags para hypar o nome de Booker.


Toda sorte do mundo pra ele enfrentar bem essa barra, porque talento ele já tem.

Nesta página do The Guardian você consegue ouvir o disco inteiro do rapaz em Stream.
http://www.theguardian.com/music/2014/aug/11/benjamin-booker-benjamin-booker-exclusive-album-stream


Dez discos importantes pra mim.

Tá rolando uma onda de uma brincadeira no faceboobs de postar os dez discos que foram importantes na sua vida. Eu sempre tive vontade de fazer essa lista e até hoje não fiz. Diversos amigos estão me marcando para fazer isso, mas como eu gostaria de elaborar melhor essa minha lista decidi postá-la no blog pra poder contar um pouco melhor sobre as minhas conexões com esses discos.

The Dark Side of The Moon - Pink Floyd

Um dia, do nada, meu pai apareceu com esse cd do Pink Floyd dizendo que era algo realmente bom e que eu deveria ouvir, acho que eu tinha uns 10 anos. Hoje penso que foi muito estranha essa atitude por parte do meu pai, que apesar de ser uma pessoa musical em sua maneira, não gosta muito de rock. Foi um cara das discotecas, do Bee Gees e tal.
Deixei esse disco de capa estranha encostado durante uns 3 anos. Até que por influência de um amigo na escola que vivia com camisetas do Pink Floyd por aí eu comecei a ouvir. Deve ter sido o disco que mais ouvi na vida. Isso porque durante uns 2 anos eu chegava da escola, almoçava, deitava na cama e colocava o Dark Side pra tocar.

Nevermind - Nirvana

Certo dia estava eu vendo Mtv quando passa uma vinheta que era simplesmente um cara andando com um Gol quadrado conversível numa paisagem rural escutando Smells Like Teen Spirit. Na hora aquele som me chamou a atenção. Só fui descobrir a musica cerca de um mês depois num antigo programa da Mtv chamado Dataclipe. Comprei o cd, rasguei minhas calças e mudei meu nick no saudoso ICQ para Edu-Grunge.

Ok Computer - Radiohead

Este foi meu companheiro de depressão depois que terminei a escola. Estava totalmente perdido sem ter ideia do que seria a vida após a escola. Tentando entender a todo custo esse novo mundo de faculdade e gente adulta que não me fazia sentido. Good Times, BAD TIMES.
É uma obra prima da mais pura depressão.

Appetite for Destruction - Guns n Roses

O Guns foi muito importante pra mim. Nunca foi minha banda favorita mas por causa dela e um cara chamado Atila é que eu sou guitarrista até hoje. Desde que ganhei minha primeira guitarra sempre a tratei como um hobby, até que um dia fui convidado para tocar num Guns n Roses cover e aí então passei a estudar, entender e a tocar guitarra direito.

Fungus Amungus -  Incubus

Estava eu nessa minha fase Guns n Roses/Hard Rocker curtindo umas noitadas de banda cover, sendo um falso rock star e tals, até que me aparece esse disco num jantar em um restaurante mexicano quando eu estava de férias em Ubatuba. Meu queixo caiu junto com meu cabelo comprido. Esse disco é absurdamente bom e me transformou na primeira ouvida. Uma mistura de Red Hot com alguma coisa mais pesada, o tal de Funk Metal. Tive uma longa fase de curtir funk por causa desse disco. Foi um momento de grande ruptura na minha vida.

Californication - Red Hot Chili Peppers

Foi um amigo meu da praia que me apresentou o disco. Eu estava em sua casa de bobeira e ele coloca o disco num volume bem alto. Eu dei um pulo ao escutar as primeiras notas de Around The World. Eu devia ter uns 10 anos na época. Foi amor a primeira ouvida. Pirava muito nos "don don den den" no final da primeira musica. Esse disco carrega muito sentimento da banda, é aquela história que todo mundo conhece: o Frusciante voltando pra banda após ter passado 5 anos trancado em casa injetando heroína, o Antony num periodo sóbrio, o Rick Rubrin querendo que eles soassem como uma nova banda. Deu no que deu, um dos melhores discos da história.

The Best of The Doors -  The Doors

Tive uma fase pesada de só escutar Doors.
Certa fez eu fui viajar para o sítio de uns tios e levei meu recém ganhado disc man. Pois é, mas esqueci todos os meus cds. Chegando lá comecei a fuçar as disqueteiras de geral até que descobri esse cd perdido entre clássicos da péssima musica brasileira e mundial. Passei todos os dias ouvindo esse cd. Acabava, começava, acabava, começava. Break on Though, Light My Fire, People are Strange e por aí vai. Uma prima na época soltou a frase "esse menino respira musica!", é eu sou assim mesmo.

De-Loused in the Comatorium -  The Mars Volta

Já contei minha história com esse disco aqui no blog. Realmente foi uma banda que uniu diversos universos e aproximou pessoas de estilos distintos. É um eterno clássico, disco bom do começo ao fim. Pra você enterrar seus ouvidos nele e se perder no coma proporcionado durante uma hora.

Niandra Lades and Usually Just a T-Shirt - John Frusciante

Se você acredita em musica visceral, aqui está ela em seu mais belo estado. Primeiro disco solo do John é movido inteiramente pela dor de estar perdido no mundo, atormentado pelos seus próprios demônios e viciado em heroína. É assustador e belo ao mesmo tempo. Não é preciso estar afinado, ou superproduzir o disco, apenas coloque seu coração na musica e ela soará verdadeira, tocando o coração de quem ouve.

Goo - Sonic Youth

Então amigo, esquece tudo o que você conhece sobre tocar guitarra e crie um novo estilo. Foda-se os solos, foda-se caras que sobem e descem escalas na velocidade da luz tipo Yingwe Malmsteen.
Sonic Youth inventou um novo jeito de tocar, não só guitarra, como bateria e baixo. E me libertou dos moldes. Agora tudo é possível. Algo parecido com o que os Ramones fizeram nos anos 70, só que agora de um jeito mais livre ainda. A cada nova afinação criada eles tem um novo jeito de tocar o instrumento, aí você pensa que é uma afinação pra cada musica do disco.


É nói.





É, quero viver de música...


“Não existem mais desculpas que justifiquem o desconhecimento. Só o autentico desinteresse.” Felipe Hirsch
No fim de 2012 eu propus para mim mesmo que em 2013 eu teria que ouvir o maior número de musicas novas e diferentes possíveis. Agora, em dezembro de 2013, sinto que está missão foi cumprida com louvor. Viva para mim!
Este foi o ano foi o primeiro em que consegui olhar mais pra frente do que para trás, como de costume. Finalmente superei os clássicos e me joguei nessa selva que são as musicas e as bandas da era pós internet. Consegui provar algo que há muito tempo eu pensava mas que não tinha conhecimento o suficiente para afirmar: o fato de hoje em dia as bandas serem tão boas quanto em qualquer outra época.
Pra quem gosta de rock o mais fácil é sempre ser saudosista. Ficar transitando nas décadas passadas, cavando fundo na história e nunca olhar pra frente, ou para o presente. Para as bandas da sua cidade, que seja.
Hoje sei que o rock nacional vive um de seus melhores momentos, com bandas geniais surgindo a todo instante. Mas que ao mesmo tempo tem um grande problema: não conseguem sair do underground. As mídias de massa simplesmente ignoram o rock desta geração, preferindo ficar onde mora o dinheiro. Sendo no momento atual o sertanejo universitário, ou o funk. Enfim...
Além de, darem preferencia aos gigantes do rock que estão baixando por terras tupiniquins de dois em dois meses cobrando ingressos a valores astronômicos. Não que isso seja ruim (exceto pela parte dos valores, que é sempre ruim). Em algum momento de nossas vidas é tudo o que pedimos, ver os shows dos grandes astros. Mas é preciso dosar as coisas, dar força pro mercado nacional. Todo mundo ganha com isso.
2013 também foi o ano que decidi, após ter enrolado 7 anos, que eu quero viver de musica. Seja compondo/gravando/fazendo show, escrevendo, divulgando, entrevistando, etc. Para 2014 tenho a ideia de um programa musical para internet.
Ano que vem meu grande objetivo é gravar minhas musicas. Porque realmente preciso disso, não importa se vão gostar, se vão comentar. Quero fazer porque preciso me expressar e tirar esta quantidade de musicas que compus, e considero boas, do meu ombro e da minha cabeça.
Outra boa surpresa deste ano foi ter começado a escrever pro site Scream & Yell. Aproveitando as facilidades do terrível, porém útil, Facebook para entrar em contato com o Marcelo Costa, que comanda o site. Para minha surpresa ele liberou minha criatividade e me impôs o desafio de escrever um texto mais impessoal. Meu primeiro texto custou a sair, toda a informação dentro da cachola mas a necessidade da impessoalidade me fez reescrevê-lo diversas vezes. Sendo que ainda acho que poderia melhorá-lo. Já o segundo saiu de maneira um pouco mais tranquila, mais solta. Tive o grande privilégio de obter mais de 350 likes e ser um dos textos mais visitados no site do mês, falando sobre o Stoner Rock brasileiro. Simplesmente porque vi que tem muita banda brasileira caindo pra este lado e não há muita gente comentando. Acho que o texto fez com que muita gente do estilo se conhecesse. Missão cumprida!
Espero escrever muitos textos mais, e a cada dia me apaixonar novamente pelo rock como um adolescente que ouve Nirvana ou Led Zeppelin pela primeira vez.



Abaixo uma lista de bandas nacionais que ouvi bastante em 2013:

Lupe de Lupe – Banda de BH que faz um noise com belíssimas letras e uma interpretação visceral.
Boogarins – Goianos que fazem psicodelia olhando pro futuro.
Chacon – Som que me lembra Cidadão Instigado só que mais roqueiro. Com timbres matadores e sempre com um pézinho no brega. Chacon é de Recife.
Apanhador Só – Uma banda que eu realmente não gostava conseguiu me surpreender com seu segundo disco.
Ronnie Von – Há muitos anos eu baixei os discos da fase psicodélica do Ronnie, de 68 até 70, mas só este ano vim a ouvi-los com maior cautela. Pra perceber que, de fato, é um cara genial. Exatamente no meio entre Mutantes e Roberto Carlos.
Raul Seixas – Eu era um preconceituoso com a obra de Raul. Hoje sou fã devoto, daqueles que quer tatuar o símbolo da sociedade alternativa.
Giallos – Meus conterrâneos do ABC paulista fazem um blues sujo com letras que dariam ótimos roteiros de filmes do Tarantino. Genial!
Clube da Esquina – Este foi um que passou praticamente 2013 inteiro no meu mp3 player. Não há nada que não seja genial no primeiro disco do Clube da Esquina.
Nuda – Outros cara fodas de Recife que sabem dosar bem a musica regional com o rock. Timbres perfeitos na gravação do álbum “Amarénenhuma”. Uma pena que a banda acabou.
Moraes Moreira – O primeiro disco solo do cara é pura roqueiragem. Quebradeira total!
Tape Rec – Banda de Lê Almeida, um dos maiores entusiastas do faça você mesmo no Brasil. Noise pop delicinha.
Júpiter Maçã – Meu deus, por que eu demorei tanto pra ouvir A Sétima Efervescência? Ainda me pego rindo de algumas sátiras nas letras do Júpiter.
Supercordas – “A Mágica Deriva dos Elefante” é um disco que todos tem que ouvir. O disco transborda bom gosto e genialidade.
Hierofante Púrpura -  A banda realmente me conquistou com “Espírito Espelho”, faixa genial do split com a banda Alarde chamado “Espirito de Faca”.

É NOISE em 2014!

Forte abraço

...por que não musica Gourmet? blehhh!


Coyne, Homme e Lopez manjam das porras!
Depois de alguns anos como audiófilo você começa a adquirir um certo gosto estranho por peculiaridades sonoras. Gosta de uma musica por causa de determinado timbre de determinado instrumento, ou porque naquela musica o vocalista alcança determinado tom elevado, que é dificílimo de alcançar, ou determinada batida que é novidade para seus ouvidos, enfim.

Eu já passei por todos os estilos, do samba ao black metal, e meu paladar musical continua insaciável. Sempre atrás de novas sensações sonoras. Conheço muita gente assim. Então este post é pra vocês!

Nem toda pessoa tem essa fixação por dissecar a musica. Desde sempre me interesso muito pelos sons característicos de cada banda, e como ela chegou a determinado timbre. Que instrumentos usou, quais equipamentos e marcas, coisa e tal.

Uma pira que eu entrei há um tempo atrás foi a de textura musical. Eu não sei muito bem explicar este fenômeno. É algo muito mais para se sentir do que para se verbalizar.

Muitas bandas tem texturas características. Por exemplo consegue-se reconhecer o Metallica pela textura que suas guitarras tem. É uma soma de timbres que resultam numa massa sonora reconhecível, que vem a ser som característico da banda (ouça Sad But True e veja se não sente o baque das guitarras). O mesmo vale para várias outras bandas mais conhecidas por aí, onde o conjunto produz um som característico que é reconhecido de longe pelos que tem ouvido mais apurado.

Talvez não esteja muito claro até aqui o que eu pretendo expressar.

Mas nada melhor do que alguns bons exemplos para demonstrar o meu ponto de vista.

Eu escolhi alguns discos que me fazem vibrar por conta da textura.

Que entre a primeira texture band:

 

O Flaming Lips é uma banda, vamos dizer... difícil. Eu me coloquei a missão de entender por que essa banda é tão adorada por tantos (e tão odiada, da mesma maneira).

Baixei toda a discografia, e comecei a ouvir os discos. Eles tem momentos interessantes nos anos 80 e 90. Primeiro como uma banda da linha do Sonic Youth, só que mais fraco, e depois como uma banda Grunge?! Que também não me agradou muito.

Os Lábios Flamejantes começaram a me agradar quando caíram pro lado da musica eletrônica. Sinto que foi ai que eles se encontraram. Casamento perfeito com o programa de midi, Reason.

O disco em questão é Embryonic, penúltimo da banda, lançado em 2009. Este disco apresenta um novo Flaming Lips, muito diferente do que a gente estava acostumado a ver. Aquela banda com uma felicidade excessiva da musica Race for The Prize (eu adoro essa musica). Agora eles estão mais soturnos, explorando o lado negro da força.
Esse disco tem diversas musicas porradas. Coisas de fritar o cérebro com uma textura saborosíssima.
Melhor disco da banda, na minha opinião.

 Que entre a segunda participante:



Vindos da escola do Stoner Rock (nesse link está um doc sobre o estilo que explicará melhor o que digo aqui), estilo que preza muito pela textura da distorção, geralmente usando pedais Fuzz. O Queens of the Stone Age sempre foi além.

Josh Homme e companhia sempre se destacaram pelo belíssimo timbre que conseguem tirar de seus instrumentos. Nos primeiros discos ainda ficavam na historia do stoner/fuzz. Mas nos dois últimos realmente eles chutaram o pau da barraca em relação a textura, como deixa claro este primeiro som do novo disco (...Like Clockwork, 2013). Para começar com os riffs iniciais, pesadíssimos, ao mesmo tempo limpos. Depois temos aquelas viradas com aqueles wah wahs deliciosos (umm que fome).

Enfim, este aqui é um cara que gosta de explorar os limites de seus instrumentos.
 
Que entre o terceiro prato do dia:
 
 
 
Este é um disco daqueles que você precisa parar pra ouvir. É uma experiência, uma viagem sem drogas (com elas talvez fique um pouco melhor) proporcionada por ninguém menos do que nosso maestro das seis cordas de Porto Rico, Omar Rodriguez-Lopez (tá bom, tá bom, prometo no próximo post não falar dele).
Aqui Omar literalmente orquestra uma banda de magos, incluindo seu companheiro de Mars Volta, Juan Alderete, no baixo e outro musico pleno, chamado John Frusciante.
Misturando musica eletrônica, ritmos latinos, rock, dub e free jazz, ele nos apresenta um disco instrumental livre, com a musica sendo mixada de uma maneira que parece dançar em nossos ouvidos.
Sepulcros de Miel é um prato cheio pros ouvidos. E acredito que o melhor jeito de degusta-lo seja se isolando do mundo, com ótimos fones de ouvido, e sim, volume no talo.
Meia hora de puro deleite sonoro!

E quase tudo foi feito pelo Sol!

Sempre achei a história do Brasil com o rock progressivo algo muito curioso. Peculiar eu diria. O povo e principalmente os músicos brasileiros se jogaram de cabeça na musica feita por Yes, Emerson, Lake & Palmer, King Crimson e afins.
Grande parte das gravações do final dos anos 70 tem um pézinho no pregressivo. De fato uma grande moda nas terras tupiniquins.
Temos o caso clássico de uma das bandas mais importantes do Brasil chamada Os Mutantes que descambou pro prog rock e o resultado acabou por dividir os fãs dessa banda que até filho de John Lennon disse que era melhor do que Beatles.
Também tem aquele case (linguajar de publicitário) da banda Vímana que contava com os futuros pop stars dos anos 80: Lobão, Lulu Santos e Ritchie. Além de contar com Patrick Moraz tecladista do Yes que se fixou por aqui depois de tomar 10 caipirinhas e perder todos os seus pertences ao ser assaltado na praia de Copacabana (essa ultima parte é mentira). Patrick também é responsável pelo fim dessa super band, por ser muito marrento (acho que Lobão e Lulu Santos absorveram um pouco dessa marra).
 
Quem é quem no Vímana?
Dentre as bandas progressivas que aqui surgiram a que mais me agrada é uma banda chamada Som Nosso de Cada Dia
Eles captaram muito bem a essência do estilo.
O Som Nosso de Cada Dia [Nos Dai Hoje] foi formado no inicio dos anos 70 na cidade de São Paulo e desde seu primeiro álbum (Snegs - 1974) possui o rock pregressivo como principal influencia e meta.

Mas o disco em questão deste post é chamado Som Nosso ou Sábado/Domingo, Segundo disco da banda lançado em 1976.
Esse lance do Sábado e Domingo se deve a maneira como o disco está organizado. No lado A (sábado, dia de festa) temos uma avalanche de funk e no lado B (domingo, dia do descanso e introspecção) uma avalanche de pregressivo. Tudo muito bem composto, tocado e gravado, pelo quarteto paulista.
Esse é o diferencial do álbum, por isso ele tem destaque pra mim. São dois estilos que adoro, e que se você for pensar, estão de certa forma distantes um do outro. E aqui eles se fundem de uma maneira bem natural.

Som Nosso era um trio durante sua primeira fase (UM TRIO!)
 O disco já abre com o funk tema de mini série da globo Pra Swingar. Essa musica devia bombar muito nos bailes disco da época.

O segunda musica é um funk auto ajuda muito legal chamado Levante a Cabeça.
A banda, num geral, tem como tema mensagens positivas, cheias de auto astral, mãe natureza. Bem coisa de Hippie mesmo. Destaque pros metais alla Tim Maia. Sensacional!


Outra musica que gusto muito é Vida de Artista. Um funk bem rasgado com um vocal Roberto Carlos sacana que é muito bom. A letra é bem boa também. "se a nossa arte então não vale nada. A nossa vida também não vale nada." (essa máxima vale muito pra minha vida), "para poder subir na vida, só mesmo sendo ascensorista". Pra quem não sabe ascensorista é aquele profissional que pilota o elevador, cada dia mais raro de se ver por aí.

O lado progressivo é todo sensacional. Mas o destaque fica por conta de Montanhas, que tem um instrumental muito bom. Melhor que qualquer um de rock progressivo nacional, na minha opinião. Uma gravação com ótimos timbres. Um som muito limpo e belo.



Rara Confluência também é matadora.



Não sei o desfecho dessa grande banda. Eu sei que o tecladista (Manito) chegou a tocar com o Mutantes progressivo do Sérgio Dias, mas não durou muito também.

Tive a sorte de adquirir o primeiro LP da banda esses dias num sebo por 5 reais. 
É por isso que eu adoro garimpar vinil. Tem neguinho que vende esse disco a uns 70 reais, brincando.


Enjoy.


Saudades do Mars Volta?!?

Tempos atrás o guitarrista do Medulla (banda nacional com muita influência de Mars Volta, que eu gosto muito), Alan, postou uma musica de um disco solo do Omar Rodriguez (guitarrista do Mars Volta) que me fez sentir como eu me sentia ao ouvir Mars Volta pelas primeiras vezes. Aquela mistura de vocal suave com instrumental trabalhado, e os riffs característicos do nosso querido guitarrista.
 ”Acabar musicas é para os fracos,
vamos emendar todas umas nas outras!"
Esse dia foi foda!

Decidi então baixar o álbum, que se chama Solar Gambling, lançado no final de 2009 produzido pela empresa do Omar, Omar Rodriguez-Lopez Productions.
O álbum tem aquele quê da antiga banda de Omar, só que é mais simples musicalmente. Não simples como Ramones, obviamente, mas simples pro geninho da guitarra de Porto Rico.
A sensação que tenho é que a banda (Mars Volta) foi se tornando mais e mais excessiva a cada álbum que era lançado, até culminar com o The Bedlam Goliath, que é de longe o álbum mais excessivo deles. Contando com 9 membros efetivos na banda pra fazer uma sonzeira absurda tanto no disco quanto no palco.
Mas a questão é que eles já faziam essa sonzeira absurda quando a banda de cinco manos!
 Não que eu não considere essa fase excelente, mas é que quando eu termino de ouvir o disco sinto meus ouvidos cansados de tanto instrumento, tanta nota, tanta colagem, e tanto vocal agudo, que ele possui.
O álbum seguinte veio com essa proposta de simplificar o som novamente. Mas acabou que não agradou os fãs (das antigas meu).
Ainda não tenho o meu parecer sobre o ultimo disco deles, Noctourniquet.

Solar Gambling não espancou meus ouvidos, ele fez massagem. E tem momentos que é só isso que você precisa da musica. Novamente não se trata de um disco suave como, sei lá, um disco do João Gilberto, mas vocês entenderam, né?
Eu ouço no trabalho, no trem, ouço lendo um livro. Tranquilo.
Parte disso se deve ao vocal suavemente poderoso da lindíssima Ximena Sariñana, cantora Mexicana namorada de Omar que é a vocalista no registro. Cantado 100% em espanhol.
Ximena fazendo a pinup.

Rock em espanhol é um tabu, isso é fato. Mas dou meu selo de garantia pra esse aqui. Assim como tudo do Mars Volta que é cantado em espanhol, este é de muito bom gosto. Não torçam o nariz.

Destaque para duas musicas:
Un Buitre Amable Me Pico (um abutre amigável me picou) me lembrou aquele disco Omar + Frusciante, que é uma compilação de musica que os dois gravaram juntos, pela simplicidade e beleza lirica do riff na abertura, que é caracteristica do estilo do Frusciante. Pura influencia do amigo.
A musica deságua em Poincaré que é um piano e voz que desenrola da musica anterior, igualmente belo.
Gostei tanto dessa musica que ouvi algumas vezes repetidamente, e olha que eu não sou do role do repeat.


O outro destaque fica para Miel del Ojo (mel do olho). Uma musica simples no sentido de composição, mas extremamente bela. E com a marca registrada do nosso capeta em forma de guri que são os delays, formando uma massa sonora hipnotizadora. Um belíssimo refrão (Miraaaaaaada luciidaaaaaaaaaa) que é capaz de arrepiar a espinha de muito marmanjo por aí. Nessa musica a guitarra faz os arranjos e quem segura a base é o teclado, obviamente junto com a batera e o baixo (Omar também toca baixo em todas as musicas). Assim como a musica postada acima, esta também deságua num belo piano que serve de ponte para a próxima musica. ”Acabar musicas é para os fracos, vamos emendar todas umas nas outras!" disse ele pra mim certa vez.



Boa ouvida pra vocês, espero que curtam o disco como eu tenho curtido nesses últimos tempos.




Album póstumo de Jimi Hendrix contém plágio de Steve Vai (ou seria ao contrário?)

#chatiado








P O L Ê M I C A !

Pois é, 43 anos depois da morte do maior guitarrista de todos os tempos sai um disco inteiro de inéditas chamado People, Hell and Angels.
Disco bom de mais, faz jus a todo o trabalho anterior de Hendrix.
Ele é bem cru no sentido de produção, muito diferente de Axis: Bold As Love e Electric Ladyland, que são discos de uma produção um tanto quanto ousada e impecável. Aliás, uma das coisas que difere Hendrix de ser apenas um guitarrista genial, muito a frente de seu tempo, é sua capacidade como produtor. Compare a produção destes discos com qualquer outro da mesma época, nem um tem o perfeccionismo que eles.
Enfim...

Voltei do trabalho pra casa ontem ouvindo o disco e pirando.

Quando chegou a ultima musica de nome Villanova Junction Blues, eu tive aquela sensação "já ouvi isso...o que é mesmo?".
Vasculhando meu cérebro musical lembrei de uma musica do também genial guitarrista Stevie Vai chamada Tender Surrender.
Como pode o cara ter plagiado uma musica que ainda não havia vindo a publico, me perguntei.
Aí fui pesquisar.
Descobri que essa musica (Villanova Junction) já havia sido registrada, mas numa gravação ao vivo, no inesquecível Woodstock de 1969.
Na versão do show ela é um pouco mais Blues, não se parece tanto com a Tender Surrender quanto a que está no album póstumo.

Será que é uma homenagem consciente do Vai? Ou seria um aproveitamento de uma musica que ainda não havia sido gravada em estúdio?

Fiquem com isso:





Quinta-feira show do Lama Bomba no Cidadão do Mundo em São Caetano, na inauguração do ensaio aberto.
Venha plagiar o Hendrix conosco!

O Fim de uma banda rara

Agora parece um pouco tardio, mas eu quero deixar aqui explicito o que essa banda significou pra uma era do rock. Especialmente para mim.

A banda é o finado (por enquanto) The Mars Volta.
Lá em meados de 2005 eu entro no segundo colegial (entregando a idade) numa escola diferente. Cabeludão, com pulseiras e colares, eu era o tradicional "ROUQUEIRO MEU". Já conhecia bastante bandas mas nada que fugisse muito ao classic, metal e hard rock.
Logo que cheguei na sala notei algumas pessoas que curtiam hardcore, emo, musicas que estavam em alta na época. Achei que seria difícil me misturar e trocar uma ideia musical.
Geralmente adolescente é muito extremo e tende a ser preconceituoso. Não era tanto o meu caso, mas ainda assim eu tinha meus preconceitos musicais.
Bom, comecei a me misturar. Mostrava musicas pra eles, eles me mostravam musicas, sem muito sucesso. Até que um dia chegamos no ponto em comum. THE MARS VOLTA.
Pessoas que curtiam hardcore gostavam de At The Drive-in, que é de onde vem as duas principais cabeças do Mars Volta. Então parte das pessoas do hardcore gostavam de Mars Volta. E eu como vinha do lance mais classic e tal, curtia um rock progressivo, um rock setentista, me apaixonei de cara pela banda.
Na época rolava o clip do single The Widow direto na Mtv. Eles haviam acabado de lançar o disco Francis The Mute.

Foi nessa época também que eles fizeram um show no Brasil, no Tim Festival, se não me engano.
O primeiro disco é o De-loused in The Comatorium, clássico absoluto dos anos 2000. É uma viajem intensa, realmente algo que você nunca ouviu antes. Detalhe, 90% dos baixos do album são tocados por ninguém menos que nosso querido Michael Balzary, o Flea do Red Hot Chili Peppers
Cedric, o vocalista, desde os tempos de At The Drive-in escreve letras praticamente indecifráveis, e no Mars Volta ele não faria diferente. Todos os discos são temáticos, agora de que não me pergunte sobre o que falam hehehe BRINCKS.
E o Omar Rodriguez-Lopez, com quem eu me orgulho de compartilhar parte do sobrenome, é quem compõe todas as musicas, produz o disco e é geninho em tudo o que faz. Brotherzasso de outro truta meu que é o Frusciante (ex-RHCP), que tocou alguns solos no segundo disco e praticamente em todas as faixas do terceiro (Amputechture).
Os meninos fazendo uma jam

O quarto é o meu atual favorito, The Bedlam in Goliath. Que é uma paulada atraz da outra, o disco mais pesado da banda, com riffs pesados do começo ao fim.
O quinto eu ouvi muito pouco, mas é considerado o pior disco da banda. Eu sei de uma história na qual a gravadora deles, a Warner, pediu pra que eles fizessem um disco com musicas mais curtas, pra tocar nas rádios, coisa e tal. Nesse ponto a banda sempre fez jus a uma banda de rock progressivo com uma média maior de 8 minutos pra cada musica.

O ultimo eu estou esperando o correio me entregar. Encomendei da gringa o LP duplo de Noctourniquet e me recuso a ouvir o disco se não for na minha vitrola.

Bandas como essa são primordiais. Gerar essa mistura de sons e publicos é a coisa mais bela que uma banda pode querer. Definitivamente uma das melhores banda dos anos 2000.

É uma pena que tenha "terminado"

Mas fica aí a DICKA pra essa Juventude desse meu brazilzão ouvir essa banda incrível.

E se você quer ver a coisa mais maneira do mundo na questão de performances ao vivo de banda, procure pelos shows da turnê de The-Loused e Francis the Mute.
Eu vi no SWU e me decepcionei um pouco, não pelo som, que foi maravilhoso, mas pela performance explosiva que é um dos pontos altos da banda, e que acabou não acontecendo no dia. Um show bem sóbrio.


Se você quer ver performances a altura está intimado a comparecer no Cidadão do Mundo nos dias 1 ou 7 de março e ver a banda Lama Bomba.
Rua Rio Grande do Sul, Numero 73 em São Caetano do Sul - SP

EP A Banda e o Diabo



Foi este o resultado do esforço de alguns anos, muitos nomes...
Finalmente bem gravado, finalmente em sintonia.
A banda que começou com 6 membros e no momento conta com 4. Quatro membros como nenhum outro, que se esforçam ao máximo pra fazer a coisa toda acontecer. E isso é o que realmente importa.
Chega uma época ou idade em que tocar em banda se torna quase que inviável. Com trabalho e família pouco tempo resta para gastar com aquilo que seria sua profissão ideal, mas que as milhares de condições adversas não permitem. Muitos sacrifícios tem de ser feitos pra quem quer continuar a gozar do prazer de fazer seu som ou trabalhar com musica. Tem que ser paixão, tem que ser faca amolada.


Foi realmente divertido gravar este EP e ele já está rendendo alguns belos frutos como propostas de show, propostas de lançamento do EP, uma prensagem em vinil 7"e por aí vai.
Muito orgulhoso da banda e de todos que a cercam.

Pra quem quiser ouvir:
EP A Banda e o Diabo

Que venham shows, tournes, amizades e todos nossos sonhos adolescentes.

Dia 7 de março estaremos inaugurando o estúdio do Cidadão do Mundo. Vai ser um ensaio aberto que contará com as bandas Lama Bomba e o Pastor Rottweiller. Vai ser animal! Colem todos!

Link do evento no facebook

Peace!

Afinal, what rock n roll is about?

Elma recebendo a benção do Vingador ao fundo
Elma recebendo a benção do Vingador ao fundo
Boa noite Brasil.
Aqui estou mais um dia sobre o olhar sang...não, não é bem isso que vou escrever.
Nesta sexta (29/06/2012) rolou um show aqui na minha terra natal, São Caetano do Sul, que me derreteu o cérebro e sinto que devo compartilhar isso aqui, e divulgar o som das bandas que tocaram no evento.
O evento rolou no Cidadão do Mundo, previsto pra começar as 21h. Esperto que sou saí 21h de casa pra chegar lá com a banda já rolando. Meu pneu furou na hora de sair de casa e aí tive que pedir socorros para conseguir chegar até o show. E nisso pensando que não iria rolar mais, que eu ia perder parte da primeira banda e tals.
Bom, cheguei no show umas 22h30, e a rua do Cidadão ainda deserta. Entrei no pico e tava nóis, o DJ, os caras da casa e o Nego Will  (organizador do evento). E nada de banda no palco. Aí pensamos juntos "eee São Caetano, todo mundo reclama que não tem show e quando tem um evento desses a galera fica aí de bobeira. Aposto que se fosse na Augusta de terça feira essa porra tava bombando."
Anfan, quando foi umas 23h30 começou a chegar nego de todos os cantos e a rua do Cidadão do nada estava lotada. uhuuu!
O evento era composto de duas bandas Anjo Gabriel, uma banda de Recife que eu passei os dois dias anteriores ouvindo no trampo e pirando, uma banda que quando você pensa em rotular de algo eles te surpreendem e aquele rótulo ja não serve mais. É psicodélico, anos 70, progressivo, stoner. Doidera né? e a segunda banda era o Elma, banda paulistana que há muito tempo ouço falar, mas que eu nunca tinha parado pra escutar direito.
Começa o show do Elma e a multidão ainda estava do lado de fora. Acho que na terceira musica de repente lotou a parada. Um show MUITO FODA. Os caras fizeram um set (inconscientemente, fui descobrir depois) que só foi crescendo. E em dado momento do show estávamos todos em transe. É noise, é metal, é stoner, é downer e nem tem vocalista. Detalhe, a intensidade era tamanha que os caras estouraram 4 cordas, incluindo uma de baixo, durante o show
Só comparo o que senti no show deles com o que senti no show do Sonic Youth.
Terminou o show, comprei camiseta e EP dos caras.
Show do Anjo Gabriel também foi muito foda, exótico. Os caras usam theremin, guitarra de dois braços, baixo fretless (sem trastes), flauta, dois teclados. Coisa rara nos dias de hoje, bem ousado. Todos os caras excelentes musicos. O batera foi provavelmente o melhor que eu já vi tocar de tão perto, cheio de energia, tipo um Mitch Mitchel do Jimi Hendrix Experience. Troquei uma ideia com os caras e são humildissimos, estão lançando agora um LP duplo com as musicas que já estão no Myspace. Eu como disco freak que sou quis por que quis comprar mas nenhum banco estava funcionando devido, disse-me uma bruxa, os recentes ataques aos policiais que estão ocorrendo de madrugada. Ah tristeza do jeca.
Anjo Gabriel fritando ovos em nossas testas enrugadas

Passei o dia seguinte energizado e emocionado, com o show do Elma principalmente. Pensando em como os caras hipnotizaram uma pequena multidão sem usar o recurso obvio de um vocalista carismático. Muita energia cara! Quero isso pra mim. Aproveitando a boa energia compus uma musica.

No dia seguinte fui ver um show de Smiths cover, e por mais que fosse o melhor cover que já vi na vida, a energia não chega nem perto do sentimento verdadeiro que os shows desta sexta proporcionaram. Agora compreendo um pouco melhor porque deixei de tocar em bandas cover.

Parabéns pelo evento Nego Will!

PS: Vou ser pai de um menino chamado Theo, estou muito feliz. Jessi te amo (sou piegas mesmo)

Ao som do sensacional Dennis Wilson - Pacific Ocean Blue

Beijo do gordo careca barbudo

#fotos de Fabio Battestin

Kurt Cobain sobre letras de musica e energia dos Melvins

Recentemente adquiri um livro que é uma compilação de páginas dos diários de Kurt Cobain. 
Estava eu de bobeira na Livraria Cultura quando sou atraido a puxar esse livro grande de capa vermelha da prateleira. Aí vou ler a capa, e sim, eram os tais diários que eu ouvira falar há muito tempo. Sonho de adolescente revoltado realizado. Ae ae ae ae aeaea 
Fanatismo a parte. Nirvana é uma banda muito importante pra formação musical de qualquer pessoa que goste de musica. Alguns podem torcer o nariz, mas dizer que não foi uma banda importante é só enganar a si próprio.
Enfim...
O Kurt era sim um cara que entendia muito de musica (torçam o nariz de novo), e escrevia muito sobre o assunto. 
Tem um texto dele em particular que me identifiquei, e vou traduzir aqui as partes que achei mais interessante.

O texto começa com a frase "Words sucks", algo do tipo fodam-se as palavras. Acho que seria o título do texto.
"As palavras não são tão importantes quanto a energia que deriva da musica, especialmente ao vivo"
"Numa performance ao vivo dos MELVINS você não vai entender muitas palavras (assim como na da maioria das bandas), mas você vai sentir a ENERGIA negativa. Musica é ENERGIA. Um estado de espírito, uma atmosfera. SENTIMENTOS. Os MELVINS são e sempre foram os reis da EMOÇÃO. E eu não estou falando da merda dos estúpidos sentimentos de compaixão humana, mas sim dos que nos lembram que vivemos todo dia no meio da VIOLÊNCIA.
Tem hora e lugar pra esse tipo de musica. Então se você só quer rebolar a bunda vá até um rock bar. Os MELVINS não são pra você. E provavelmente eles também não te querem."
"Aparentemente as letras e as musicas deles são igualmente importantes, só que eu nunca consegui entender uma letra inteira da banda e eles nunca colocaram nenhuma delas nos encartes dos álbuns." 

Isso diz muito sobre as letras do Nirvana até certo ponto. As letras do Nevermind e do Bleach, são aparentemente, com algumas excessões, rimas com palavras que o Kurt gostava. Aparentemente. 
No In Ultero a coisa fica mais pensada ao meu ver, letras com personagens, coisa e tal.
E Nirvana sempre foi sobre energia pra mim.
Deu vontade de ver um show dos Melvins ao vivo, pra ver qualé.
Mas essa energia ao vivo não é excessão deles. Senti essa energia foda algumas vezes em shows, e aí é que vale a pena, aí que agente é feliz. Aí dá vontade de explodir...



Nota: Duas bandas fodas voltaram para o fim do mundo. REFUSED. AT THE DRIVE-IN.
Pura ENERGIA

Adeus 2011 nunca mais vou te esquecer, que deus te ponha no lugar que merecer


O que dizer de um dos piores anos da vida?
Muita coisa, obviamente.
Mas ele passou, e o que aconteceu já foi. Agora as coisas parecem entrar nos eixos (que medo dessa palavra).
O questionamento existe nos bons e maus momentos. Enquanto ele continuar existindo a vida vale a pena.
Muito fácil sossegar num emprego de 8 horas diárias com um salário razoavelmente bom, e esquecer o que te move de verdade. Prender sua arte na sua cabeça, ter ótimas ideias e deixá-las escapar.
Aconteceu, acontece.
Internet deixa sua cabeça preguiçosa no sentido criativo. Você pode passar dias só recebendo e não emitindo nada.
É preciso dosar bem.
Passar dias nos sites errados, que te emburrecem.
Reconheço um emburrecimento por grande parte das pessoas.


Me encontrei no Fora do Eixo e nele me perdi.
A visão parece mais verdadeira quando se tem os prós e contras, a perfeição das coisas gera um incomodo. Pois somos humanos, temos vaidades, egos e o caralho a quatro.
O mercado fonográfico segue arriscando, errando, acertando, são novos tempos, a fase é de testes.
Criar uma sociedade "alternativa" no coração do capitalismo tem seu preço. De fato ainda é o capitalismo que reina e até pedreiro tem que receber seu salário no final do expediente (então: artista igual pedreiro).
Formadores de opinião dizem "mé"
A palavra mais hype do momento é COLETIVO, então tomem cuidado.
Tenho vontade de tatuar a frase berrada por Chuck D e Flavour Flav "Don't Believe the HYPE".
Sei que assim caio em contradição com minha empolgação inicial em escrever este blog. Mas acontece que nem todo coletivo é agregador como o nome sugere.
So don't believe the hype.

Gostaria de ter feito mais em 2011, mas sinto que estou aprendendo a engatinhar dentro da musica. Tanto como musico, com minhas gravações e produções de shows.
Eu só aprendo errando mesmo, não tem jeito.

Que venha 2012, sem promessas. Um ano curioso, no mínimo.